Eu ia escrever um monte de coisas bonitas.
Ao menos para mim eram bonitas.
Eu queria falar da minha época de faculdade, que não tem tanto tempo assim, mas que já passou e por isso virou "época".
Queria contar das maravilhas de se viver em uma república de universitários e dos perrengues da mesma situação.
Queria lembrar de como era bom passar vergonha quando algum parente sem noção resolvia visitar a gente no sábado de manha. Por Favor! Moramos sozinhos, somos universitários e somos no mínimo 3 pessoas diferentes, com amigos e gostos diferentes. Como vocês queriam chegar na nossa casa sábado, as 9 da manhã e não encontrar garrafas de cerveja, cinzas de cigarro, copos, restos de pizza e pessoas dormindo na sala? Só com muita sorte não faríamos alguma "coisinha" na sexta a noite. É assim mesmo: casa de universitário, lugar oficial das "reuniões". Parentes, vocês não tinham por que ficarem bravos. Nesse caso os errados eram vocês! Deveria virar regra: visitas, só agendando com 2 dias de antecedência, no mínimo!
Eu também queria falar de como era bom acordar todas as manhãs e falar: "Mônica, você não vai pra aula? ... Ai, não acredito cara, de novo?". Subir uma ladeira imensa e escutar la de baixo: "That's,Paulo, me esperem!". E lá vinha a Mônica, arrumando o cabelo e atrasando todo mundo...
Era legal ter para quem perguntar se a roupa estava boa, ter com quem discutir sobre os afazeres domésticos, ter em quem enfiar uma receita que aprendeu com a mãe - mesmo não tendo a menor idéia se aquilo ali estava prestando.
O balanço geral de tudo isso foi positivo!
Nos ajudamos, nos conhecemos, nos amparamos, nos dedicamos, nos suportamos. Formamos nossa família. Única e cheia de plurais.
E o que fica em mim é essa saudade, gritante!
Teremos novos amigos, mas jamais teremos outra família. Não como a nossa!
"Pessoas entram na sua vida por uma "Razão", uma "Estação" ou uma "Vida Inteira".
Quando você percebe qual deles é, você vai saber o que fazer por cada uma delas...
Sua tarefa é aceitar a lição, ama-las, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida.
É dito que o amor é cego, mas a amizade é clarividente".
Martha Medeiros
Um conto de terror
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