quinta-feira, 10 de junho de 2010

Contramão

Ouço MPB porque gosto das letras. A música em si, as vezes acho chata. E me sinto um pouco culpada por parecer não gostar de música.
O fato é que vivo bem sem sons. Mas não vivo sem elas, as palavras.
Cada um sabe de suas paixões, sabe pelo que o coração bate mais forte. Sabe o motivo de se comer menos, de mudar os horários, de diminuir os parágrafos, de aceitar novos vícios.
Tenho meus motivos para pintar as unhas de vermelho.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Re- conhecer

De repente era verdade e em dois segundos estava tudo ali. Em um verde de brilho tão escuro, que alguns olhares sequer conseguiam identificar. Tudo estava tão confuso... Nem as mãos sabiam o que dizer. Os corpos não encontravam um lugar seguro. E os olhos, ah os olhos, esses sim não sabiam onde se esconder.

Entre um lábio que sorria e outro que se censurava, um suspiro residia. Pensamentos correndo tão velozes, que qualquer um poderia ouvir. O medo de existir era quase que gritante. Sabiam que quando tocassem o céu, virariam estrelas. Num instante.


Bom, essa é a primeira "coisa" que fiz após meu curso em Sampa. lendo uma coisa aqui, outra ali, vendo letras de músicas e algumas histórias, juntei umas análises soltas e escrevi.
É literatura, pelo menos uma tentativa, não tem que ter muito sentido.
Espero que gostem.

"Levar a luz que te conduz
Jamais abandonar o dom que te seduz"
Dom Quixote

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Até tocar o céu

Eu tinha 15 anos e queria ser Renato Russo. Eu realmente acreditava que poderia ser; e acreditava que era evoluída demais, esperta demais, gente demais... Eu parei de usar camisetões pra sair de casa e percebi que não era nada daquilo, ainda tinha muito que aprender...

Eu tinha 12 anos e queria ser psicóloga. Dava conselhos, conversava com adultos, falava sobre sexo e agia como a mais sábia das pré-adolescentes, a mais sábia e incompreendida da sociedade... Dei meu primeiro selinho e quase morri quando tentaram passar dalí, saí correndo e senti vergonha da minha inocência...

Eu tinha 05 anos e queria ser a Ana Raio (é, essa mesma da novela da manchete, haha). Eu assistia TV até mais tarde que todo mundo, eu ja estava na escola há mais tempo que todo mundo, dormia sozinha, não mamava mamadeira, não chupava chupeta e não tinha medo de escuro... A zeladora da escola brigou comigo e eu chorei de vergonha. Acabei dizendo pra professora que estava chorando com saudades do meu pai (todos os amiguinhos faziam isso, porque comigo não iria funcionar?) Desisti de ser a "mamãe" e fiquei brincando só de filhinha mesmo...



Eu tenho 25 anos e quero ser escritora. Ou chegar o mais perto possível disso. Eu dormi com um elefante nas costas e acordei com uma decisão tomada e sei que tenho que comer muito arroz com feijão para conseguir. Agora que sou grande, continuo não tendo medo do escuro, nem mamando mamadeira; ainda choro por vergonha e digo que é por outra coisa e sinto saudade da minha ingenuidade. Mas ao contrário do que pensava há 10 anos atras, eu sei q não sou nem um pouco evoluida, nem um pouco esperta e nem um pouco gente demais;




Eu sou a Thaís, jornalista, decidida e pronta pra voar.
Será?

"I'll spread my wings and I'll learn how to fly
I'll do what it takes till I touch the sky
And I'll make a wish, take a chance, make a change
And break away
Out of the darkness and into the sun
But, I won't forget all the ones that I love
I'll take a risk, take a chance, make a change
And break away"

Breakaway - Bridget Benante / Matthew Gerrard / Avril Lavigne

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Alguém Brilhante e Louco

Viva!
O 1º Post de 2010.

Com essa coisa toda de twitter, msn, orkut e afins, acabo esquecendo um pouco desse blog.
Alias, no fim do ano passado e no início desse ano decretei férias digitais para mim. É um saco fazer dessas ciosas uma obrigação, pior ainda é ser refém de algo que foi feito para facilitar a sua vida...

Bom, discussões tecnologicas a parte (pq isso já foi muito, mas muiiito discutido), 2010 começou de maneira singular em minha vida.
Chorei bastante, lavei a alma e decidi que, esse ano, eu cresci!
Podem até pensar q é papo de reveilon, mas eu sei que não é.
É difiícil ser grande, é difícil ser adulta, mas mais difícil ainda é assumir tudo isso. Falar pra todo mundo e tomar uma postura de gente grande não é para qualquer um.
As vezes penso que não é nem pra mim...

O Carnaval está chegando, meus pais farão bodas de prata e esse ano eu faço tb, as minhas bodas de prata.
Ontem a noite eu estava pensando comigo mesma: gente... 25 anos ao lado de uma pessoa! Eu tenho 24 anos e tem dias q nem eu me aguento, imagina aguentar outros por 25 anos... É muita meditação, exercício de respiração, sei lá.
Mas ainda bem que eles conseguiram, e são meus pais, e são incríveis!

Ahhh[deixa eu voltar pro meu trabalho.
Daqui uns dias tem mais. Prometo que não demoro mais 4 meses.

B-jos Bye!

It's hard to find the kind of thing
You've searched for all your life
Someone bright and crazy
With a little soul inside
And looking at you fast asleep
I thank the stars above


Elton John - I Know Why I'm In Love

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Ritual Feminino

"Entre um café e outro ela imaginava como sair dali. Entre um suspiro e outro, seu sangue fervilhava ao pensar no que sua atitude poderia causar.

Não era a toa que chegara aos 29 anos sem revelar o que realmente sentia. Achava que aquilo era demais para que qualquer um tomasse conhecimento. Pelo menos era o que pensava... até agora.

As coisas haviam mudado drasticamente nos últimos dias. Já não sentia vergonha de seus pensamentos e considerava, verdadeiramente, a idéia de colocá-los em prática.

Saiu do trabalho 15 minutos mais cedo. Parou no bar da esquina, no qual nunca havia entrado (mas que havia observado inúmeras vezes), e pediu uma dose de conhaque.
_ É para ganhar coragem – disse em tom de explicação ao senhor de camisa aberta atrás do balcão que nada tinha a ver com aquilo.
Escondeu os óculos de aros largos na bolsa, soltou os cabelos presos com uma grande presilha prata e desabotoou cuidadosamente o primeiro botão de sua camisa branca. Partiu.

No caminho para casa, comprou um vinho caro. Forte e suave, simultaneamente. Misterioso como o que estava por vir.
Algumas ruas depois, entrou em seu restaurante predileto e pediu a massa que melhor combinava com o vinho que levava na bolsa.
- Para dois. Para viagem, por favor.
Sabia que não havia tempo nem disposição para ela mesma preparar algo. Cheiros de tempero e fogão não combinavam com seus planos.
O jantar era apenas uma desculpa.

Chegou em casa vinte minutos depois. Colocou o vinho sobre a bancada, ajeitou a massa comprada em seu restaurante predileto em um bonito refratário e guardou no forno. Foi até o quarto deixando os sapatos pela sala e a saia pelo corredor. Adorava a liberdade de morar sozinha e poder despir-se em qualquer lugar. Debruçou-se sobre a banheira e abriu a torneira, jogou alguns sais de banho, vestiu seu roupão e voltou para a sala.

Apagou as luzes, ajeitou algumas almofadas sobre o sofá e colocou Sade para tocar. Sabia que não era um gosto comum, mas precisava daquilo para se sentir envolvida e suficientemente segura para o que se preparava. Voltou ao banho, ainda escutando a música e sentindo sua pele escandalosamente sensível.

Caminhou descalça e molhada até o quarto. Sentou-se em frente a sua penteadeira e tirou, do fundo da gaveta, um embrulho de veludo azul, arrematado com uma larga fita de cetim. Havia guardado aquilo durante anos, mas até então não imaginara oportunidades para usá-la.

Envolta por um espartilho preto, rendado e perfeitamente ajustado ao seu corpo, pegou seu melhor perfume e aplicou, estrategicamente, algumas gotas entre os seios, atrás das orelhas, na nuca e pensou duas vezes antes de pingar algumas gotas atrás dos joelhos, havia lido que ali era um bom lugar, mas não tinha certeza. Achou melhor arriscar –“Mal não há de fazer”, concluiu.

Subiu delicadamente o zíper de seu vestido vermelho, ajustou o decote e, enquanto calçava os sapatos, escutou o soar da campainha. Sentiu o corpo tremer.

Contou até dez e se dirigiu á porta. Sabia que do outro lado estava a pessoa que despertara seus desejos mais íntimos e impublicáveis. Sabia que estava pronta para realizá-los e sabia que não sofreria nada por isso".


Escrevi esse texto na intenção de escrever outra coisa. As vezes o pensamento toma rumos que não queremos... E aí acaba saindo coisa assim.
Precisava escrever um artigo sobre mitos femininos (eu ja falei dele em outro post), mas não deu (só que de hoje não passa, ja deu meu dead line)
Não é bom, mas me deu vontade de compartilhar.
E a razão de não ter fim, é que cada um sabe de suas historias. As vezes narrar o que acontece depois pode frustrar alguns pensamentos.
Digno de "Sabrina" isso. hehe

Ando meio triste... quem sabe um dia eu consiga entender ou me fazer entender em algumas coisas.
Aguardo suas criticas. Sejam elas boas ou não.
B-jos e b-jos

"O mesmo texto tudo provoca: uns te amam, outros te toleram e alguns não perdem a chance de te esculachar. Como te leem os que te odeiam
[...]
É uma aventura a cada linha, uma salada mista a cada ponto de vista. Franco-atiradores a serviço da reflexão, todos nós, os daí e os de cá, sabemos um pouco de tudo e muito do nada, e salve o bom humor diante desta anarquia, já que de algum jeito há que se ganhar a vida. "

Os bastidores da crônica - Martha Medeiros.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Diamantes de Vidro

A vida é engraçada pra caramba quando se tem doze anos.

Aos doze eu estava na 7ª série. Tinha o cabelo metade preto, metade loiro (afff), usava coisas hippies e tinha acabado de me mudar para uma cidade 40 vezes menor que a anterior, não entendia meus novos colegas de classe e tentava me acostumar com essas coisas da adolescência.

A casa nova era verde abacate, tinha uma piscina furada e um pé de manga imenso. Meu quarto tinha 2 janelas e o Leonardo DiCaprio afundando junto do Titanic era a maior das desgraças cinematográficas. (Alias, são raros os filmes que ele não se vai com alguma coisa. Pobre Leo...) Aos doze eu era a mais juvenil da minha turma da cidade maiorzinha e, sem dúvidas, a mais mal entendida da cidade nova. Minhas amigas antigas já haviam beijado, as novas achavam um absurdo. E eu ficava nesse impasse: ta na hora ou deusmelivreépecado!??

Aos doze eu fui ao show do Gabriel o Pensador com a Fernanda Abreu, usava jeans, camiseta e tênis olímpikus de camurça com solado branco que tava super na moda. No dia do show descobri que o meu cabelo era igual ao da Fernanda Abreu. Havia me encontrado. “Faz de conta que sou uma super fã, ué”. E no mesmo show descobri qual era a textura da boca alheia. (mas só por um selinho, pq mais q isso?? “deusmelivreépecado!”)

Aos doze eu assistia clip clip e gravava todos os do backstreet boys. Aos doze eu me sentia muito sábia para dar conselhos às minhas amigas dramáticas, eu andava de bicicleta o dia todo, eu jogava vôlei, eu comia pão de queijo com maionese assistindo TV Cruj e meu desenho predileto era a turma do pateta. Aos doze eu não suportava passar os finais de semana na cidade nova e gastava uma fortuna de telefone para as minhas amigas. Aos doze qualquer separação era mortal e todas as juras de amor eram eternas.

Quando se tem doze anos o mundo te abre as portas, mesmo que você não se dê conta ou que os mais velhos se recusem a assumir. É aos doze que você começa a escolher qual postura terá para o resto da vida. É aos doze que você confirma as amizades de infância que levará para sempre. E é com a ingenuidade e esperança dos doze que a gente deveria continuar enxergando o mundo.

Hoje minha afilhada faz 10 anos... daqui a pouco é a vez dela sentir tudo isso. E eu vou achar tudo tão engraçado. Mas de forma compreensiva, afinal, ela vai precisar de alguém que se lembre de verdade como é ter doze anos.

Feliz aniversário minha passarinha!



"Às vezes parecia
Que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro..."

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A ausência explica o desconforto.

Queria eu ter escrito no dia 09/09/09 porque, pra mim, isso é data comemorativa. Depois de 2012, não acredito que terei outra oportunidade.

Mas, pra variar, me faltou tudo: ânimo, inspiração, assunto...
Não que hoje o assunto exista mas, pelo menos o ânimo esta vagarosamente de volta e fez frio... e eu tomei algum pouco de vinho, o que explica a suposta e passageira inspiração. Não?!

Ontem foi aniversário da minha avó. a Vó Fifi . 71 aninhos de muito trabalho, suor, dedicação e batalhas. As realizações não vieram em abundância, nem a merecida recompensa por tanta ralação.
Curioso como que, para alguns, a vida não seja assim tão generosa.
Eu queria ter escrito: 71 anos de pura alegria, gloria e sucesso. Não como se tudo fosse um mar de rosas, mas como reflexo de tanto esforço.
Não posso!
E isso me deixa triste. muito.
As vezes penso que o certo não seria fazer as minhas vontades, mas oferecer o melhor que puder a ela. Dar um pouco de alegria a quem tanto fez por todo mundo.
Tento e, as vezes, acredito que levo (com esse meu jeito meio torto) um sorriso para aquele rosto marcado pelo tempo, e pelas lembranças, e por todas as coisas dessa vida.
Ontem foi um dia assim. Encontrei amigos, reuni parte da família. me senti tão eu e tão natural que não queria ir embora.
Ando com saudades de mim.
Não ter que fazer carão, nao ter que impressionar, nem explicar pq as vezes sou diferente das outras pessoas.
Ser conhecida desde pequena poupa muitas explicações e facilita a leveza da coisa. "eu sou assim, você me conhece. Não preciso usar truques para te agradar. Apenas nos gostamos, desde sempre, e isso basta".

As vezes sinto que aquele ali é o meu lugar. Onde eu não teria mais saudades de mim...

Ultimamente dei pra ler poesia. E fui logo para os anos 30.
Nessas horas temos a certeza de que algumas coisas são atemporais.
E depois de tanto assunto misturado, e de tanto tempo ausente, termino com um verso.
Um verso de mulher.
Uma mulher que não sou eu, mas, quem sabe um dia...
E desculpem a bagunça mas, nesse caso, a ausência explica o desconforto.

"...Deixa-te balançar entre a vida e a morte, sem nenhuma saudade.
Deslizam os planetas, na abundância do tempo que cai.
Nós somos um tênue pólem dos mundos...
... Nem é preciso fazer nada, para se estar na alma de tudo."

Cecília Meireles - Êxtase.


PS: ( E eu senti uma imensa saudade do cheirinho, das mãos e da pele fininha da Vó Tel)

Até!